Categoria: Compass News

Newsletter semanal da Smart Compass.

  • As 5 maiores centrais cooperativas em captações

    As 5 maiores centrais cooperativas em captações

    Olá,

    As cooperativas de crédito seguem ampliando sua capacidade de atrair recursos e fortalecer sua presença no Sistema Financeiro Nacional. O levantamento do Bi.Coop, com data-base de março de 2026, permite avaliar como esses recursos se distribuem entre as centrais do segmento.

    As cinco maiores centrais em captações

    As cinco maiores centrais em captações
    1. Central Sicredi Sul/SudesteR$ 105,4 bi
    2. Central Sicredi PR/SP/RJR$ 72,9 bi
    3. Sicoob Central SC/RSR$ 51,1 bi
    4. Sicoob Central CrediminasR$ 45,7 bi
    5. Sicoob Central CecremgeR$ 42,3 bi

    Fonte: Bi.Coop · data-base março de 2026

    Juntas, essas cinco centrais somam R$ 317,4 bilhões, o equivalente a mais da metade das captações do segmento — um indicador expressivo da maturidade e da capilaridade alcançadas por essas estruturas.

    Uma conquista de todo o segmento

    O Top 10 reúne centrais dos principais sistemas do país e evidencia a força distribuída do cooperativismo brasileiro.

    O Sicredi ocupa a liderança do levantamento com a Central Sicredi Sul/Sudeste, que soma R$ 105,4 bilhões — o maior volume individual do ranking —, acompanhada pelas centrais PR/SP/RJ (R$ 72,9 bi) e Centro Norte (R$ 32,6 bi), em uma presença que se estende do Sul ao Centro-Norte do país.

    O Sicoob marca presença expressiva com cinco centrais no Top 10: SC/RS (R$ 51,1 bi), Crediminas (R$ 45,7 bi), Cecremge (R$ 42,3 bi), São Paulo (R$ 36,3 bi) e Espírito Santo (R$ 27,5 bi) — um alcance que reforça sua capilaridade nas regiões Sul e Sudeste.

    Completam o ranking a Unicred do Brasil, na 8ª posição, com R$ 30,5 bilhões, e a Central Ailos, na 10ª, com R$ 20,9 bilhões, confirmando a relevância de sistemas que constroem trajetórias sólidas com identidade própria.

    Cada real captado representa a decisão de um cooperado de confiar seus recursos à instituição da qual também é dono. É esse vínculo que sustenta a oferta de crédito e permite que os recursos sejam reinvestidos no desenvolvimento de pessoas, empresas e comunidades.

    A Smart Compass está pronta para trabalhar em conjunto com a sua instituição para viabilizar a sua operação.

  • Brasil bate recorde da inadimplência de crédito

    Brasil bate recorde da inadimplência de crédito

    Olá,

    Em 1º de julho, o Banco Central divulgou os dados de crédito de maio — e o número principal merece atenção.

    A inadimplência nas operações de crédito atingiu 4,7% em maio, o maior patamar desde o início da série histórica do Banco Central, em março de 2011. O dado não é pontual — é o reflexo de um ciclo que vem se construindo há meses.

    Entre as famílias, a taxa chegou a 5,6%, também recorde histórico. Entre as empresas, subiu para 3,24%, o maior nível desde novembro de 2017.

    O crédito livre dá o sinal mais claro.

    A inadimplência do crédito livre alcançou 6,2% em maio, acima dos 6,1% registrados no mês anterior. No cartão de crédito rotativo, a taxa voltou a subir, passando de 432% para 439,9% ao ano. No parcelado, avançou de 188,1% para 189,6%.

    O mercado cresce — mas com qualidade de carteira em deterioração.

    O estoque total de crédito do sistema financeiro alcançou R$ 7,3 trilhões, acumulando expansão de 9,5% em 12 meses. As concessões seguem em volume elevado, mas os indicadores de atraso acompanham essa expansão. O crédito rural também merece atenção: a inadimplência acima de 90 dias no segmento avançou para 7,6%, mais que o dobro do nível observado um ano antes.

    E o horizonte segue pressionado.

    Projeção do IBEVAR em parceria com a FIA Business School estima que a inadimplência das pessoas físicas no crédito livre encerrará julho em 7,62%, com possibilidade de superar 8% em agosto e setembro nos cenários mais pessimistas. O endividamento das famílias permaneceu em 49,8% da renda acumulada em 12 meses, com comprometimento de renda em 28,2%.

    Nesse cenário, o cooperativismo mostra por que existe.

    Em momentos de pressão sobre a capacidade de pagamento de cooperados, as cooperativas de crédito são colocadas à prova de uma forma que instituições tradicionais raramente enfrentam da mesma maneira.

    O cooperado não é um cliente a ser gerenciado à distância. É o próprio dono do sistema. Quando ele enfrenta dificuldade financeira, a cooperativa sente junto — porque o resultado do inadimplente impacta diretamente o patrimônio coletivo de todos os cooperados.

    Essa proximidade revela seu valor econômico real em momentos como este: a cooperativa conhece a realidade do negócio, acompanha o fluxo de caixa de perto e consegue agir antes que a dívida se torne irrecuperável. Quando há mais informação e acompanhamento, a inadimplência tende a ser menor — mesmo em cenários restritivos.

    Historicamente, as cooperativas também mantêm crédito ativo em períodos de maior cautela do mercado. É o papel anticíclico do modelo — possível porque o objetivo do sistema não é maximizar margem, mas preservar o ecossistema e o desenvolvimento das comunidades onde atua.

    Em um ambiente em que 5,6% das famílias brasileiras já acumulam atrasos acima de 90 dias, esse modelo tem muito a contribuir.

  • As 5 maiores cooperativas em número de cooperados

    As 5 maiores cooperativas em número de cooperados

    Olá,

    São 1.021.847, para ser exato: o total de cooperados da Viacredi, do Sistema Ailos. E a palavra certa é cooperados, não clientes. É essa distinção que explica por que o cooperativismo de crédito virou a força mais silenciosa do sistema financeiro brasileiro.

    No banco, o que importa é ativo, lucro, spread. No cooperativismo, um número fala mais alto: o de cooperados. Cada um é, ao mesmo tempo, quem usa o serviço e quem recebe o resultado — dono e cliente na mesma pessoa. Ali, crescer não concentra riqueza no topo: distribui na base.

    Cooperativas singulares com o maior número de cooperados
    1. Ailos Viacredi1.021.847
    2. Sicredi Sudoeste MT/PA358.885
    3. Sicredi Pioneira RS324.768
    4. Sicoob Conexão319.233
    5. Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ313.050

    Ailos Viacredi tem base quase três vezes maior que a segunda colocada e, sozinha, reúne cerca de um terço da lista. Foi a primeira singular do país a passar de um milhão de cooperados, em abril de 2025 — e devolveu esse tamanho em valor concreto: mais de R$ 470 milhões distribuídos aos associados em 2026. Quando o cliente é dono, a fidelidade deixa de ser marketing e vira pertencimento.

    O segundo padrão é o Sicredi: sete das dez cooperativas são do sistema. Não por acaso, e sim por estratégia — em vez de uma megacooperativa, cerca de cem cooperativas robustas e bem distribuídas.

    O Sicoob merece um olhar à parte, com só duas cooperativas na tabela, é o maior sistema cooperativo do país em número de cooperativas e pontos de atendimento, com mais de 10 milhões de cooperados em 2026. A diferença é estrutural: ele espalha essa base em 323 singulares, enquanto o Sicredi a concentra em cerca de cem. Cada sistema cresce à sua maneira, e nenhuma delas é menos legítima.

    O dilema, que vale para todos, é o equilíbrio entre proximidade e escala. Manter 323 singulares exige coordenar muitas estruturas e padronizar a experiência; o Sicredi seguiu o caminho oposto, com fusões em busca de uniformidade. Não há certo nem errado — o Sicoob aposta na proximidade radical, o Sicredi na escala consolidada, e a Viacredi prova que dá para ter as duas quando a densidade regional permite. São três formas de crescer lado a lado.

    O pano de fundo revela o tamanho da aposta: o setor acaba de cruzar R$ 1 trilhão em ativos, rumo a R$ 2 trilhões até 2029. O que sustenta esses números não é o capital: são as pessoas. Cada novo cooperado é um dono a mais — alguém com voz nas decisões e parte nos resultados do próprio negócio. Essa é a força do cooperativismo: crescer significa repartir o resultado, e cada avanço do setor acaba voltando para quem o construiu.

  • A maior onda de empresas em recuperação judicial

    A maior onda de empresas em recuperação judicial

    Olá,

    O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 5,9 mil empresas em recuperação judicial, alta de 21,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Juros altos encarecem o crédito, combustível caro pressiona a cadeia logística, a inflação corrói a margem e as dívidas acumuladas desde a pandemia chegaram ao limite. Em janeiro de 2026, 8,7 milhões de CNPJs já estavam negativados — e historicamente, inadimplência é o prelúdio da recuperação judicial.

    Os grandes nomes vieram na sequência.

    Raízen protocolou recuperação extrajudicial em março com R$ 65,1 bilhões em passivo — o maior pedido desse tipo na história do país. O GPA entrou no mesmo mês com R$ 4,5 bilhões em dívidas que declarou não conseguir honrar sem paralisar as operações. Em abril, o Grupo CVLB — Casa & Video e Le Biscuit — converteu sua tutela cautelar em recuperação judicial com passivo de R$ 1,71 bilhão. Em maio, o Grupo Toky, controlador de Tok&Stok e Mobly, protocolou pedido com endividamento superior a R$ 1 bilhão, apontando juros elevados e retração do consumo como causas diretas. Estrela, Oncoclínicas, SAF Botafogo, Lupatech e Aliança Saúde completam a lista dos casos mais relevantes do primeiro semestre.

    EmpresaTipoValor
    RaízenExtrajudicialR$ 3,5 bi
    GPA — Grupo Pão de AçúcarExtrajudicialR$ 3,2 bi
    Grupo CVLBJudicialR$ 2,5 bi
    Grupo TokyJudicialR$ 2,0 bi
    EstrelaJudicialR$ 1,9 bi
    OncoclínicasExtrajudicialR$ 1,8 bi
    SAF BotafogoJudicialR$ 1,7 bi
    LupatechCautelarR$ 1,5 bi
    Aliança SaúdeCautelarR$ 1,4 bi

    O dado que mais preocupa não é o volume de pedidos — é a taxa de êxito. 30% das empresas em recuperação judicial estão indo à falência após o processo. Antes, esse número ficava em 10%. A recuperação judicial está sendo mais acionada e funcionando menos.

    Para quem atua no mercado de crédito, esse movimento não é risco. É o mercado se reposicionando — e abrindo espaço para quem está estruturado para operar nesse ambiente.

  • Estreia hoje: PodCompass #9 com Vinicius Fiusa

    Estreia hoje: PodCompass #9 com Vinicius Fiusa

    Olá,

    Hoje o nono episódio do PodCompass chega com um convidado que conhece o mercado de crédito estressado de dentro para fora.

    A estreia acontece hoje, 19 de junho, às 18h, recebemos Vinicius Fiusa, advogado e sócio do escritório Queiroz Fiusa Advogados, para uma conversa sem rodeios sobre os bastidores jurídicos da recuperação de crédito no Brasil. Ao lado de Johnny Tang, CCO da Smart Compass, e Vitor Cornélio, Gerente Comercial da Smart Compass, o papo foi direto, técnico e cheio de perspectivas que raramente chegam ao público.

    O que você vai encontrar nesse episódio:

    • Gestão de carteiras volumosas e os maiores desafios de um escritório jurídico que opera no perfil de crédito inadimplido que a Queiroz Fiusa e a Smart Compass costumam lidar.
    • Saneamento jurídico de créditos — por que créditos chegam ao estágio de inviabilidade jurídica, com risco de prescrição, ajuizados extintos e risco de sucumbência, e o que pode ser feito para evitar isso.
    • Cessão de créditos e o momento certo de ceder — um tema que ainda gera resistência entre advogados e credores, e que o Fiusa aborda com uma visão bastante clara sobre quando manter e quando soltar.
    • Escritórios jurídicos estão preparados para o volume que vem por aí? Com o mercado de créditos estressados crescendo 40% ao ano, Vinicius analisa se o setor tem capacidade de absorver essa demanda ou se caminhamos para um gargalo real.
    • IA no jurídico — ferramenta de escala ou ruído que atrapalha a operação? A visão de quem está na linha de frente.
    • Recuperação judicial como estratégia empresarial — o crescimento dos escritórios que vendem a RJ não como saída da falência, mas como instrumento deliberado de renegociação de dívidas.
    • Volatilidade jurídica regional — como a inconsistência do judiciário em diferentes regiões do Brasil impacta diretamente a precificação e a aquisição de carteiras.

    E para fechar, o Pinga Fogo — credor x devedor, judicial x extrajudicial, fee mensal x êxito, acordo online x presencial, AF x confissão de dívida.

    Conteúdo direto, técnico e sem filtro — disponível a partir das 18h de hoje, em nosso canal do YouTube e Spotify.

    Assistir no YouTube → Ouvir no Spotify →

  • Entenda como o STJ pode redefinir o mercado de crédito inadimplido

    Entenda como o STJ pode redefinir o mercado de crédito inadimplido

    Olá,

    No dia 10 de junho, o STJ julga uma tese que pode redesenhar o mercado de crédito inadimplido no Brasil.

    O tema: os limites da cobrança extrajudicial de dívidas prescritas. O contexto não poderia ser mais relevante. O Brasil encerrou 2025 com 81,2 milhões de consumidores inadimplentes e 8,9 milhões de empresas no vermelho. O mercado de NPLs movimentou mais de R$ 30 bilhões no período — com projeção de superar R$ 50 bilhões em 2026.

    O que está em discussão?

    Dívidas prescritas não podem mais ser cobradas judicialmente — mas continuam existindo como obrigação jurídica. Fundos de investimento, securitizadoras e empresas especializadas adquirem essas carteiras e buscam recuperação por meio de acordos extrajudiciais com os devedores.

    A questão que o STJ precisa responder é: quais são os limites legítimos dessa prática?

    As implicações vão além do jurídico.

    Uma eventual restrição às formas de cobrança extrajudicial pode afetar diretamente a precificação das carteiras inadimplidas e a liquidez do mercado secundário de crédito. E se o risco de recuperação aumenta, o custo do crédito novo tende a subir junto — porque as instituições financeiras precificam a concessão considerando a capacidade de recuperação futura.

    O julgamento também envolve uma tensão legítima: de um lado, a proteção dos consumidores contra práticas abusivas de cobrança. Do outro, a segurança jurídica que sustenta um mercado que movimenta dezenas de bilhões de reais e tem papel estrutural no sistema de crédito brasileiro.

    Encontrar esse equilíbrio é o desafio da Corte.

    Para bancos, fundos, securitizadoras e empresas do setor, a decisão estabelecerá parâmetros que vão orientar a gestão de ativos inadimplidos nos próximos anos. Vale acompanhar de perto.

  • PodCompass #9: Crédito estressado e segredos da recuperação

    PodCompass #9: Crédito estressado e segredos da recuperação

    Olá,

    O nono episódio do PodCompass chega com um tema que está no centro das discussões do mercado financeiro e jurídico: crédito estressado. Com volume crescendo 40% ao ano, quem não entende esse universo fica para trás. Quem domina, transforma risco em oportunidade.

    Johnny Tang e Vitor Cornélio recebem Vinicius Fiusa, advogado e sócio do escritório Queiroz Fiusa Advogados, para uma conversa direta, técnica e sem rodeios sobre o universo da recuperação de crédito.

    Você vai descobrir:

    • Por que carteiras de crédito chegam à inviabilidade jurídica;
    • O momento certo de ceder ou manter um crédito;
    • Como a IA está transformando (ou complicando) o setor jurídico;
    • A polêmica das recuperações judiciais usadas como estratégia de renegociação;
    • Como a volatilidade jurídica regional impacta suas carteiras.

    E no Pinga Fogo: credor x devedor, judicial x extrajudicial, fee mensal vs. êxito, acordo online x presencial, AF x confissão de dívida.

    Assistir no YouTube → Ouvir no Spotify →

  • Empresas brasileiras renegociam R$ 670 bi em dívidas

    Empresas brasileiras renegociam R$ 670 bi em dívidas

    Olá,

    Um número chama atenção no mercado de crédito corporativo brasileiro: R$ 670 bilhões em dívidas sendo renegociadas agora. Equivale a 10% de todo o estoque de crédito corporativo do país.

    No início de 2024, esse volume era de R$ 260 bilhões.

    A escalada tem uma causa clara: juros altos por mais tempo do que o mercado esperava. E os dados operacionais traduzem o impacto com precisão:

    24% das empresas não geram caixa suficiente para cobrir os juros da própria dívida. 45% operam com alavancagem acima de 3x dívida líquida sobre Ebitda. 20% ultrapassam 6x — um nível de exposição considerado crítico.

    Entre as companhias listadas em processo de reestruturação estão nomes como Raízen, com R$ 65 bilhões em dívidas, GPA, Braskem, Ambipar e Oncoclínicas. No segmento de capital fechado, o volume estimado chega a R$ 490 bilhões.

    O setor mais pressionado é o agronegócio.

    Os pedidos de recuperação judicial cresceram 67% no quarto trimestre de 2025 na comparação anual. Construção civil e manufatura também lideram os pedidos de assessoria para reestruturação.

    Há, porém, uma mudança de postura que merece atenção. Diferente de ciclos anteriores, empresas estão se antecipando — buscando reestruturação antes de chegar ao colapso de caixa. É um sinal de maturidade do mercado, mas também de consciência sobre o que está por vir.

    O horizonte segue desafiador.

    Com pressões inflacionárias globais persistentes, os cortes na Selic devem ser mais graduais do que o mercado projetava. Para empresas e gestores financeiros, o recado é direto: quem negocia cedo, negocia em melhores condições.

    Na Smart Compass, atuamos diretamente nesse mercado — com fundo proprietário dedicado à aquisição e renegociação de carteiras de crédito estressado. Se sua empresa ou instituição possui carteiras que pesam no balanço, estamos disponíveis para uma conversa sem compromisso.

    Fale com a Smart Compass →

  • R$ 155 bi: o maior provisionamento da história dos grandes bancos

    R$ 155 bi: o maior provisionamento da história dos grandes bancos

    Olá,

    Esse é o volume que Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Santander reservaram em 2026 para cobrir perdas esperadas com crédito. O maior número da série histórica — mesmo depois de descontar a inflação pelo IPCA.

    Para entender o peso desse dado, é preciso entender o mecanismo por trás dele.

    Esse indicador se chama PDD — Provisão para Devedores Duvidosos. É o quanto o banco acredita que vai perder com inadimplência, e já desconta esse valor do próprio resultado antes de a perda se materializar. Não é uma despesa futura. É um reconhecimento antecipado de risco — uma estimativa de que parte do que foi emprestado não vai voltar.

    Quando esse número sobe, os bancos estão dizendo, em linguagem contábil, que o risco das suas carteiras aumentou.

    Quando esse número bate recorde histórico, vale parar e perguntar por quê.

    A série analisada começa em 2010 e passa por momentos conhecidos de deterioração de crédito no Brasil — inclusive a recessão de 2015 e 2016, e os impactos de 2020. Em nenhum desses momentos o PDD consolidado dos quatro maiores bancos chegou ao patamar atual. O salto entre 2021 e 2026 é o mais intenso da série.

    O ambiente macroeconômico ajuda a explicar parte do movimento. Com a Selic operando na faixa de 15% ao ano, o custo da dívida sobe para famílias e empresas. A pressão sobre a renda aumenta. A probabilidade de inadimplência cresce — especialmente em crédito ao consumo e entre pequenas e médias empresas. Os bancos respondem a esse cenário elevando provisões para refletir o risco esperado nas carteiras.

    Mas há uma camada adicional que o dado de 2026 levanta.

    Uma parte relevante desse provisionamento pode ser preventiva — os bancos antecipando perdas que ainda não aconteceram, por uma postura mais conservadora diante de um cenário que consideram delicado. Isso é tecnicamente válido e regulatoriamente exigido pelo IFRS 9. Mas também significa que o sistema bancário brasileiro, no seu conjunto, está sinalizando que espera um período mais difícil à frente.

    R$ 155 bilhões reservados para perdas esperadas em 2026. Recorde histórico. Quatro dos maiores bancos do país, ao mesmo tempo, revisando o risco das suas carteiras para cima.

    O que esse número está dizendo sobre a economia brasileira nos próximos trimestres?

  • Como o ambiente macroeconômico atual está redesenhando o crédito no Brasil

    Como o ambiente macroeconômico atual está redesenhando o crédito no Brasil

    O papel anticíclico do cooperativismo — manter crédito ativo quando instituições tradicionais endurecem — só se realiza quando há capital e gestão para suportá-lo. Sem isso, o modelo que deveria ser estabilizador passa a ser o primeiro a sentir a pressão.

    O momento exige uma mudança de mentalidade.

    Não dá mais para operar com a mesma lógica dos períodos de juros baixos. Cada decisão de crédito precisa ser bem calculada, olhando fluxo de caixa, exposição a risco e cenários possíveis. Cooperativas que equilibrarem disciplina financeira, proximidade com o associado e incorporação de tecnologia estarão mais preparadas para capturar oportunidades quando o ciclo virar.

    As que não o fizerem vão deixar espaço — e esse espaço será ocupado.

    Carteiras de crédito estressado impactam diretamente esse equilíbrio.

    NPL elevado pressiona capital, compromete liquidez e reduz a capacidade da instituição de manter crédito ativo justamente quando o associado mais precisa. Em muitos casos, a venda estruturada de carteiras inadimplentes é o caminho mais eficiente para recuperar fôlego operacional e proteger o balanço.

    A Smart Compass atua na aquisição dessas carteiras — com agilidade, confidencialidade e estrutura para absorver volumes relevantes de crédito.