Olá,
Esse é o volume que Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Santander reservaram em 2026 para cobrir perdas esperadas com crédito. O maior número da série histórica — mesmo depois de descontar a inflação pelo IPCA.
Para entender o peso desse dado, é preciso entender o mecanismo por trás dele.
Esse indicador se chama PDD — Provisão para Devedores Duvidosos. É o quanto o banco acredita que vai perder com inadimplência, e já desconta esse valor do próprio resultado antes de a perda se materializar. Não é uma despesa futura. É um reconhecimento antecipado de risco — uma estimativa de que parte do que foi emprestado não vai voltar.
Quando esse número sobe, os bancos estão dizendo, em linguagem contábil, que o risco das suas carteiras aumentou.
Quando esse número bate recorde histórico, vale parar e perguntar por quê.
A série analisada começa em 2010 e passa por momentos conhecidos de deterioração de crédito no Brasil — inclusive a recessão de 2015 e 2016, e os impactos de 2020. Em nenhum desses momentos o PDD consolidado dos quatro maiores bancos chegou ao patamar atual. O salto entre 2021 e 2026 é o mais intenso da série.
O ambiente macroeconômico ajuda a explicar parte do movimento. Com a Selic operando na faixa de 15% ao ano, o custo da dívida sobe para famílias e empresas. A pressão sobre a renda aumenta. A probabilidade de inadimplência cresce — especialmente em crédito ao consumo e entre pequenas e médias empresas. Os bancos respondem a esse cenário elevando provisões para refletir o risco esperado nas carteiras.
Mas há uma camada adicional que o dado de 2026 levanta.
Uma parte relevante desse provisionamento pode ser preventiva — os bancos antecipando perdas que ainda não aconteceram, por uma postura mais conservadora diante de um cenário que consideram delicado. Isso é tecnicamente válido e regulatoriamente exigido pelo IFRS 9. Mas também significa que o sistema bancário brasileiro, no seu conjunto, está sinalizando que espera um período mais difícil à frente.
R$ 155 bilhões reservados para perdas esperadas em 2026. Recorde histórico. Quatro dos maiores bancos do país, ao mesmo tempo, revisando o risco das suas carteiras para cima.
O que esse número está dizendo sobre a economia brasileira nos próximos trimestres?
