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Brasil bate recorde da inadimplência de crédito

Olá,

Em 1º de julho, o Banco Central divulgou os dados de crédito de maio — e o número principal merece atenção.

A inadimplência nas operações de crédito atingiu 4,7% em maio, o maior patamar desde o início da série histórica do Banco Central, em março de 2011. O dado não é pontual — é o reflexo de um ciclo que vem se construindo há meses.

Entre as famílias, a taxa chegou a 5,6%, também recorde histórico. Entre as empresas, subiu para 3,24%, o maior nível desde novembro de 2017.

O crédito livre dá o sinal mais claro.

A inadimplência do crédito livre alcançou 6,2% em maio, acima dos 6,1% registrados no mês anterior. No cartão de crédito rotativo, a taxa voltou a subir, passando de 432% para 439,9% ao ano. No parcelado, avançou de 188,1% para 189,6%.

O mercado cresce — mas com qualidade de carteira em deterioração.

O estoque total de crédito do sistema financeiro alcançou R$ 7,3 trilhões, acumulando expansão de 9,5% em 12 meses. As concessões seguem em volume elevado, mas os indicadores de atraso acompanham essa expansão. O crédito rural também merece atenção: a inadimplência acima de 90 dias no segmento avançou para 7,6%, mais que o dobro do nível observado um ano antes.

E o horizonte segue pressionado.

Projeção do IBEVAR em parceria com a FIA Business School estima que a inadimplência das pessoas físicas no crédito livre encerrará julho em 7,62%, com possibilidade de superar 8% em agosto e setembro nos cenários mais pessimistas. O endividamento das famílias permaneceu em 49,8% da renda acumulada em 12 meses, com comprometimento de renda em 28,2%.

Nesse cenário, o cooperativismo mostra por que existe.

Em momentos de pressão sobre a capacidade de pagamento de cooperados, as cooperativas de crédito são colocadas à prova de uma forma que instituições tradicionais raramente enfrentam da mesma maneira.

O cooperado não é um cliente a ser gerenciado à distância. É o próprio dono do sistema. Quando ele enfrenta dificuldade financeira, a cooperativa sente junto — porque o resultado do inadimplente impacta diretamente o patrimônio coletivo de todos os cooperados.

Essa proximidade revela seu valor econômico real em momentos como este: a cooperativa conhece a realidade do negócio, acompanha o fluxo de caixa de perto e consegue agir antes que a dívida se torne irrecuperável. Quando há mais informação e acompanhamento, a inadimplência tende a ser menor — mesmo em cenários restritivos.

Historicamente, as cooperativas também mantêm crédito ativo em períodos de maior cautela do mercado. É o papel anticíclico do modelo — possível porque o objetivo do sistema não é maximizar margem, mas preservar o ecossistema e o desenvolvimento das comunidades onde atua.

Em um ambiente em que 5,6% das famílias brasileiras já acumulam atrasos acima de 90 dias, esse modelo tem muito a contribuir.

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