Olá,
O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 5,9 mil empresas em recuperação judicial, alta de 21,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Juros altos encarecem o crédito, combustível caro pressiona a cadeia logística, a inflação corrói a margem e as dívidas acumuladas desde a pandemia chegaram ao limite. Em janeiro de 2026, 8,7 milhões de CNPJs já estavam negativados — e historicamente, inadimplência é o prelúdio da recuperação judicial.
Os grandes nomes vieram na sequência.
Raízen protocolou recuperação extrajudicial em março com R$ 65,1 bilhões em passivo — o maior pedido desse tipo na história do país. O GPA entrou no mesmo mês com R$ 4,5 bilhões em dívidas que declarou não conseguir honrar sem paralisar as operações. Em abril, o Grupo CVLB — Casa & Video e Le Biscuit — converteu sua tutela cautelar em recuperação judicial com passivo de R$ 1,71 bilhão. Em maio, o Grupo Toky, controlador de Tok&Stok e Mobly, protocolou pedido com endividamento superior a R$ 1 bilhão, apontando juros elevados e retração do consumo como causas diretas. Estrela, Oncoclínicas, SAF Botafogo, Lupatech e Aliança Saúde completam a lista dos casos mais relevantes do primeiro semestre.
| Empresa | Tipo | Valor |
|---|---|---|
| Raízen | Extrajudicial | R$ 3,5 bi |
| GPA — Grupo Pão de Açúcar | Extrajudicial | R$ 3,2 bi |
| Grupo CVLB | Judicial | R$ 2,5 bi |
| Grupo Toky | Judicial | R$ 2,0 bi |
| Estrela | Judicial | R$ 1,9 bi |
| Oncoclínicas | Extrajudicial | R$ 1,8 bi |
| SAF Botafogo | Judicial | R$ 1,7 bi |
| Lupatech | Cautelar | R$ 1,5 bi |
| Aliança Saúde | Cautelar | R$ 1,4 bi |
O dado que mais preocupa não é o volume de pedidos — é a taxa de êxito. 30% das empresas em recuperação judicial estão indo à falência após o processo. Antes, esse número ficava em 10%. A recuperação judicial está sendo mais acionada e funcionando menos.
Para quem atua no mercado de crédito, esse movimento não é risco. É o mercado se reposicionando — e abrindo espaço para quem está estruturado para operar nesse ambiente.
